Uma nova era para os veículos comerciais: mais conectados, sustentáveis e seguros
Todos os dias, toneladas de cargas e milhões de passageiros cruzam o Brasil sobre rodas. Pelos quase 2 milhões de quilômetros de estradas brasileiras, circulam 65% dos produtos que abastecem o país, segundo o Atlas da Confederação Nacional do Transporte, desde os ovos que chegam ao mercado do seu bairro até as gigantescas peças que fazem funcionar as usinas de energia. Nas rodovias ou nas cidades, os brasileiros usam transporte coletivo 4,1 bilhões de vezes ao ano, seja para ir de casa ao trabalho, visitar amigos ou parentes distantes ou conhecer novos lugares, de acordo com a Pesquisa Nacional de Mobilidade Urbana e o Anuário Estatístico do Transporte Interestadual e Internacional de Passageiros. São 3,3 milhões de viagens interestaduais e 8,1 bilhões de quilômetros percorridos por ônibus apenas nas grandes cidades brasileiras, é como dar 202 mil voltas ao redor da Terra.
Os 9 milhões de caminhões, veículos comerciais leves e ônibus têm papel fundamental para que mercadorias e pessoas cheguem a seu destino. Veículos de carga são o principal elo logístico do Brasil, essenciais para a circulação de produtos; os ônibus têm sido apontados como uma alternativa melhor para o trânsito e para o meio ambiente, transportam muito mais pessoas e, proporcionalmente, ocupam menos espaço nas ruas.
Mas há também desafios e oportunidades, principalmente reverter o envelhecimento da frota, reduzir a emissão de gases do efeito estufa, aumentar a eficiência energética e melhorar a segurança. São problemas que demandam solução urgente. Normas ambientais acertadamente mais rígidas e necessidade de maior eficiência exigem que o setor entre numa nova era, a dos veículos comerciais inteligentes: mais conectados, seguros e sustentáveis, com potencial para significar um salto qualitativo na maneira como o Brasil se movimenta.
Como o transporte de cargas pode reduzir suas emissões
A frota comercial brasileira ainda responde por grande parte (59%) das emissões no setor de transportes. Os dados mais recentes indicam que caminhões, ônibus e comerciais leves geram, somados, 130,9 milhões de toneladas de gases do efeito estufa (veja na ilustração abaixo), um volume bem maior que o dos automóveis. E, quanto mais velhos são esses veículos, menos recursos tecnológicos eles têm e mais gases lançam na atmosfera.
O que fazer: renovar a frota
Uma das medidas urgentes é atualizar a frota brasileira. Entre os caminhões, por exemplo, os produzidos a partir de 2022 geram, em média, 95% menos gases do que os antigos, aponta a publicação Transporte em Foco: Renovação da Frota, da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Porém, dos 2,24 milhões de caminhões em circulação no Brasil, um em cada três tem mais de 16 anos, segundo relatório do Sindipeças. Entre os 395,1 mil ônibus, um em cada quatro está nessa faixa. Os 6,4 milhões de veículos comerciais são, em média, mais novos: um em cada dez tem mais de 16 anos, mas chama a atenção o fato de que a faixa de 11 a 20 anos aumentou de 22% para 42% entre 2015 e 2024 nesse segmento.
Por que os veículos mais novos são melhores?
Basicamente, porque seguem limites de emissões mais rígidos, como os previstos no Mover:
- Mover - Mobilidade Verde e Inovação: Sancionado em junho de 2024, tem a meta de fazer com que, em 2030, as emissões de carbono sejam metade do que eram em 2011. Incentiva a descarbonização com benefícios fiscais e créditos para montadoras que invistam em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
O setor público está ciente da importância de atualizar a frota. Em setembro de 2022, por exemplo, o governo federal lançou um programa voltado principalmente para esse fim, o Renovar. O objetivo é retirar de circulação veículos antigos, inseguros e mais poluentes, estimulando a troca por modelos mais novos e eficientes.
O que fazer: tornar os veículos antigos mais sustentáveis
Substituir caminhões antigos por modelos mais modernos é um caminho para reduzir emissões, mas não é uma solução de curto prazo. A renovação completa requer investimentos altos, e, portanto, tende a ser gradual.
Colocar em prática os princípios da economia circular é outro caminho possível: fazer o diagnóstico e a manutenção com peças remanufaturadas recupera o desempenho e prolonga a vida útil.
No programa de remanufatura da Bosch, o Reman, componentes automotivos são recuperados seguindo os mesmos padrões de qualidade e confiabilidade da produção destinada as montadoras. A iniciativa contribui para preservar o desempenho e a confiabilidade dos componentes, reduzir o impacto ambiental e promover o uso mais eficiente de recursos.
O que fazer: adotar tecnologias mais modernas
A matriz energética brasileira é bastante diversificada. Embora o diesel ainda seja o combustível predominante nos veículos comerciais, o Brasil se destaca na produção de biocombustíveis. É pioneiro no uso do etanol e está entre os maiores produtores de biodiesel do mundo.
O mercado de motores elétricos também tem crescido significativamente entre os veículos comerciais. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram, por exemplo, que a venda de ônibus elétricos subiu 363,8% no primeiro semestre de 2026, em relação aos primeiros seis meses de 2025 (de 127 para 589 unidades).
A transição para uma mobilidade mais sustentável não depende, portanto, de uma única tecnologia e de um modelo que substitua todos os outros. Diferentes soluções podem caminhar lado a lado, de acordo com o tipo de operação, a disponibilidade de infraestrutura e as necessidades de cada aplicação. O caminho deve ser o de um conjunto de alternativas capazes de fazer sentido em diferentes realidades.
Seja qual for o combustível que venha a predominar no setor de transporte de cargas e passageiros, há inovações que ajudam a aumentar a eficiência energética dos veículos, a produtividade e minimizar as emissões de gases responsáveis pelas mudanças climáticas.
- Componentes do Sistema Common Rail : A grande maioria dos caminhões, vans, ônibus e micro-ônibus que circulam pelo Brasil é movida a diesel. A transição para outras fontes de energia nem sempre é viável e certamente será gradual. Ainda assim, é possível tornar essas aplicações mais eficientes por meio de tecnologias avançadas de injeção. Componentes do Sistema Common Rail, da Bosch, como a bomba diesel de alta pressão lubrificada a óleo e o injetor de Common Rail, contribuem para fornecer e dosar combustível de modo mais preciso, o que torna a combustão mais eficiente. O resultado é menor consumo e redução de emissões, além de ganhos em produtividade, durabilidade e confiabilidade dos sistemas.
- Componentes para Sistemas a Gás Natural : À medida que o setor de transportes amplia a busca por alternativas para reduzir emissões, os combustíveis gasosos ganham relevância. Tecnologias da Bosch, como o injetor de gás natural e o injetor de gás de alta vazão, ajudam a viabilizar sistemas capazes de usar combustíveis renováveis e de menor impacto ambiental. Ao ampliar as possibilidades do uso de gás natural e do biometano, esses componentes contribuem para a diversificação energética e apoiam diferentes caminhos para a descarbonização do transporte.
- Tecnologia Dual Fuel Diesel-Etanol : Pioneira nos motores flex etanol-gasolina, desenvolvidos pela empresa há mais de 20 anos, a Bosch dá um salto e volta a revolucionar o setor com a tecnologia diesel-etanol, anunciada em fevereiro de 2025. Muito vantajosa no contexto brasileiro — o país não é autossuficiente em diesel, mas se destaca como o maior produtor mundial de etanol a partir da cana-de-açúcar —, a novidade faz com que os motores diesel possam também usar etanol. Isso ocorre por meio da adição de um sistema de injeção a etanol que funciona em paralelo com o original, ajudando a reduzir o consumo de diesel e sua pegada de carbono.
Tecnologia Dual Fuel Diesel-Etanol tem grande potencial no Brasil e em outros países da América Latina que dispõem de experiência, infraestrutura e produção consolidada em biocombustíveis. A solução já está disponível para veículos novos e como adaptação em veículos usados, está em teste e deverá ser disponibilizada para venda em 2027.
- Motor elétrico : O motor da Bosch para veículos elétricos a bateria ou célula de combustível representa um grande avanço na mobilidade comercial. Compacto e escalável, ele alcança até 97% de eficiência, com alta potência de saída e torque. É econômico, silencioso e não gera emissões.
- Controle inteligente : A evolução da frota comercial também passa pelo controle veicular inteligente, que pode ser aplicado tanto em motores convencionais a combustão como veículos eletrificados. Ao integrar diferentes sistemas, contribui para melhorar o desempenho, a operação e eficiência energética do veículo. Como funciona: A Unidade de Controle do Veículo (VCU, do inglês Vehicle Control Unit) da Bosch é uma espécie de “cérebro” do veículo: recebe informações de diversos sensores e módulos, processa esses dados e, a partir deles, envia comandos para diferentes componentes, coordenando seu funcionamento de forma mais inteligente.
As tecnologias da Bosch contribuem para modernizar as frotas mesmo quando os veículos ainda estão em desenvolvimento. Antes de eles chegarem às ruas e estradas, o Vehicle Data Solutions oferece apoio técnico a montadoras e engenheiros. Os desenvolvedores têm acesso praticamente em tempo real a informações sobre motor, freios, câmbio, painel e sensores, melhorando o processo de análise e tomada de decisões.
Como o transporte de cargas e passageiros pode ser mais seguro
Como o transporte de cargas e passageiros pode ser mais seguro
Nas estradas, os acidentes costumam ser mais graves: a velocidade é maior, o tráfego de veículos pesados é intenso e as condições das vias muitas vezes são inadequadas. Os dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que, entre 2016 e 2025, o número de acidentes envolvendo ônibus, caminhões e comerciais leves diminuiu 19%. Porém, não houve grande variação na quantidade de ocupantes feridos (-1%) ou mortos (+2%).
Esses números referem-se apenas aos ocupantes — em 2025, por exemplo, 6.635 motoristas ou passageiros de caminhões se feriram. Mas, por serem grandes, os veículos comerciais também costumam provocar acidentes com mais vítimas nos outros veículos, como automóveis e motos. Em 2025, acidentes com ônibus e caminhões causaram 3.186 mortes nas estradas brasileiras, mais da metade (52,7%) do total de óbitos.
O que fazer: tecnologias que aumentam a segurança
O mesmo anuário da Polícia Rodoviária mostra que as principais causas de acidentes nas estradas estão ligadas ao comportamento dos motoristas, como não reagir ou demorar a reagir em situações de risco, dormir ao volante, dirigir muito próximo ao veículo que está à frente e frear bruscamente. A boa notícia é que a tecnologia vem avançando para agir onde o ser humano falha. A Bosch desenvolve várias soluções nessa área. Elas podem atuar em diversas frentes.
Conforto do motorista - Um exemplo é a direção hidráulica eletrônica Servotwin. Com ela, dirigir fica mais fácil, especialmente em manobras complexas: requer menos esforço físico do motorista e aumenta a estabilidade. Entre suas funções, estão a compensação de vento lateral, a permanência na faixa e a assistência durante congestionamentos. Alguns de seus benefícios são:
- Permite a condução automatizada;
- Alivia o estresse do motorista;
- Tem retorno de direção ativo;
- Amortece as irregularidades do pavimento.
Aplicação de tecnologias de segurança - Os dispositivos que ajudam a deixar os automóveis mais seguros também podem ser usados em veículos comerciais, com adaptações. Entre os exemplos, estão:
- Assistente para permanência de faixa : Pode ser integrada à direção Servotwin. Emite um alarme sonoro sempre que o motorista está para mudar de pista sem dar seta. Ajuda a combater, por exemplo, acidentes provocados por sonolência ou distração (veja no vídeo como o assistente funciona). Um estudo da Bosch, baseado em dados registrados na Alemanha entre 2001 e 2022, indica que o sistema poderia, por ano, evitar mais de mil acidentes com veículos comerciais e o ferimento de 900 pessoas. Com essa redução, haveria uma economia anual de mais de € 36 milhões para as transportadoras e de mais de € 400 milhões para a sociedade alemã, considerando os custos relacionados aos acidentes.
- Alerta de ponto cego : É equipado com sensores que monitoram o entorno do veículo. Se detecta a aproximação de outro veículo, avisa o motorista. É muito útil em caminhões, sobretudo com carretas, que têm muitos pontos cegos (veja no vídeo como o alerta funciona).
- Frenagem automática de segurança : Chamado de AEB, o sistema já equipa muitos automóveis. Quando seus sensores e câmeras detectam outro veículo, um ciclista, um pedestre ou algum obstáculo à frente, ele avisa o motorista. Se este não reagir, os freios são acionados automaticamente (veja no vídeo como o sistema funciona).
O que fazer: aprimorar a fiscalização
A manutenção preventiva é uma medida simples que poderia evitar muitos desses acidentes, mas vem sendo ignorada por boa parte dos proprietários. Falhas mecânicas ou elétricas, pneus com avarias ou com desgaste excessivo estão entre as 15 maiores causas de acidentes registrados em 2025, segundo o anuário da Polícia Rodoviária Federal. O resultado: 90 pessoas mortas e 617 feridas gravemente por falta de manutenção.
Há ao menos duas medidas que poderiam combater o problema:
- Intensificar a inspeção veicular : Sua obrigatoriedade está prevista no Código Brasileiro de Trânsito desde 2017, mas até hoje não foi aplicada plenamente, porque depende de regulamentações dos governos estaduais.
- Aumento da fiscalização : Os dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que, em 2025, foram emitidas mais de 584 mil multas relacionadas a problemas de manutenção. A mais comum desse tipo é dirigir veículo em mau estado de conservação, comprometendo a segurança: são 140.240 multas, a sexta principal infração, logo após punições ligadas a comportamento do motorista, como excesso de velocidade.
O que fazer: conectividade para monitorar a frota
Para as empresas que administram frotas, há uma forma eficiente de monitorar os veículos, saber como os motoristas estão dirigindo e manter os veículos bem conservados, com a manutenção em dia.
Gestão inteligente da frota
As novas tecnologias contribuem para controlar os custos e coordenar as operações de logística. Um exemplo é o sistema de telemetria da Bosch para caminhões, que usa a rede móvel de celulares e o armazenamento em nuvem para acompanhar cada veículo da frota em quase em tempo real.
Trata-se mais do que uma simples ferramenta. Ao transformar dados em inteligência operacional, a telemetria permite tomar decisões embasadas, sem demora. O resultado é maior disponibilidade da frota, aumento da produtividade e redução do custo total da operação.
De modo rápido e preciso, sem sair do escritório, é possível:
- Localizar os veículos;
- Receber recomendações para ajudar a melhorar o consumo de combustível e padrões de condução, como evitar frenagens bruscas, acelerações excessivas e uso ineficiente do motor;
- Monitorar o consumo de combustível, velocidade, tempos de parada e condução;
- Obter relatórios personalizados sobre operação e desempenho da frota, ajudando a enxugar custos e aumentar a produtividade;
- Identificar necessidades de reparo e o momento ideal para manutenção.
Gestão de manutenção
Caso algum veículo precise ir para a oficina, a Bosch oferece outro serviço 100% digital, o DriveB fleet, que conecta empresas e motoristas a uma grande rede de assistência em todo o Brasil, incluindo a rede Bosch Diesel, especializada no diagnóstico e na reparação de componentes de todos os sistemas diesel.
A conexão é feita por plataforma online e por aplicativo. Entre os benefícios estão:
- Mão de obra especializada;
- Planos de manutenção preventiva e corretiva específicos para cada cliente;
- Gestão e acompanhamento em tempo real das manutenções e da situação dos veículos.
Mobilidade conectada começa com cibersegurança
Os veículos estão se transformando em “computadores sobre rodas”. Um veículo conectado não é apenas um conjunto de componentes eletrônicos isolados. Ele troca informações continuamente com diferentes sistemas: celular do motorista, aplicativos, concessionária, fabricante, servidores em nuvem, sistemas de diagnóstico, infraestrutura externa e, em alguns casos, outros veículos.
Um ecossistema cada vez mais conectado amplia os pontos de exposição e, com eles, os riscos de ataques cibernéticos. Proteger cada conexão é essencial. Por isso, a cibersegurança deve estar presente desde a concepção do software desenvolvido para a mobilidade, incorporando o conceito de security by design ao longo de todo o seu ciclo de vida.
A Bosch fortalece a cibersegurança com a expertise da ETAS, empresa do grupo que atua em toda a jornada de segurança digital, desde a concepção e o desenvolvimento até a validação de veículos e sistemas conectados. Tecnologias, ferramentas e serviços especializados contribuem para identificar vulnerabilidades, avaliar riscos e garantir uma mobilidade cada vez mais conectada e segura, do veículo à nuvem.
Benefícios para todos: frotistas e sociedade
Modernizar a frota é uma medida que aumenta a competitividade das empresas, mas traz muitas outras vantagens. A transição para um transporte com menos emissões de gases-estufa, conectado e seguro reduz as pressões contra o meio ambiente, diminui os riscos nas estradas e alinha o Brasil às metas globais de sustentabilidade e a mercados exigentes.
Para os frotistas, os benefícios são concretos: menor custo com manutenção, operações mais previsíveis e cumprimento das exigências regulatórias. Para a sociedade, há ganhos na mitigação das mudanças climáticas.
A Bosch é um agente ativo nessa transformação, com inovações tecnológicas que inauguram uma nova era na mobilidade: veículos comerciais mais seguros, com melhor desempenho, inteligentes e sustentáveis. Mais do que componentes específicos, a Bosch desenvolve soluções que combinam hardware e software em um modelo baseado em tecnologias para a vida — conectada ao que move o presente e preparada para o futuro.








